Formação do Jornalista

3 ago

André de Abreu e Marcelo Hargreaves deram um show na oficina de Formação de Jornalismo, no dia 19 de julho, no Gafanhoto. Prova disso foi a frase registrada no meu caderninho: “a faculdade ao invés de ser início da estrada do conhecimento é o fim desta história“. Hummm, carapuça serviu muito para mim que assim que olhei para o portãozinho da PUC-SP tive aquela sensação de alívio, saca? Aquela com gostinho de NUNCA MAIS!

Mas, caros professores, isso é coisa de jornalista ou faz parte da cultura nacional?

Não importa. Somos jornalistas e esse tipo de atitude não combina com a profissão. Por acaso, você considera o conteúdo da sua universidade suficiente? Não? Então, responda-me: quantos livros você leu sobre jornalismo que não foram indicados pelos professores? Tá entendendo o quanto você é responsável pela sua formação. E detalhe: hoje existe internet e ela permite justamente a troca de conhecimento. Quantas vezes você trocou email com doutorando, editor, programador ou arquiteto de informação que tem blog?

Pensa que a gente esqueceu de falar mal do professor? Jamais. Andre de Abreu também reforçou: “o sistema de faculdade contribui para comodismo do professor”. E ainda acrescentou: a razão pela qual muitos profissionais tornam-se professores explica essa atitude. Qual é a razão? Desemprego ou cansaço pelo estilo de vida. Tem uma hora que a gente precisa mudar de família e dedicar um pouco da nossa vida aos filhos que geramos e aos companheiros que dormem na mesma cama conosco. Afinal, é muito melhor beber vinho com ex-chefe do que viver trancado dentro da redação, né?

E pra deixar bem claro que mudança de cultura não é tarefa fácil: “dá muito trabalho dar aula boa”. Ainda mais quando o mundo está em plena transformação como agora. Não adianta mais só ter mailing de velhos companheiros é preciso fazer parte da rede pra saber qual é o blog que está inovando o jornalismo.

Afinal por mais que a internet multiplicou a informação só acha a cauda longa quem vive com ela. Ou você acredita que o Google vai realmente te dar o queijo e a faca na mão. Sorry! Mas sabia que o negócio do Google é vender publicidade? Tem certas coisas que não mudam: vende mais quem tem mais reputação. Nem sempre quem faz jornalismo amador tem reputação, meu caro!

PS: não consegui participar da oficina integralmente. Por isso, confesso que minhas anotações estão bastante fragmentadas. quem puder complementar, agradeço. comenta aí, pô!
Sei que este post para muita gente não representa conhecimento, mas heloooooooooo é a realidade e o que vamos fazer diante disso? Nós fazemos o NewsCamp e você o que faz do NewsCamp?

Ceila Santos

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3 Respostas to “Formação do Jornalista”

  1. Marcelo Soares agosto 3, 2008 às 12:54 pm #

    Há vários anos, entrevistei o Philip Meyer – que depois seria autor do “The Vanishing Newspaper”. Entre outras coisas, ele comentou sobre o lado B da obrigatoriedade do diploma em jornalismo no Brasil. Disse isto aqui: “Essa lei dá às escolas um mercado garantido e as priva do incentivo de fazer melhor as coisas. Sem a lei, as escolas teriam que visivelmente adicionar valor às habilidades existentes de seus estudantes para que pudessem sobreviver. Uma escola profissional deve ser a fonte da inovação e do desenvolvimento para a profissão a que serve. Mas, com um mercado cativo, não há necessidade de que ela faça nada além de assinar certificados de conclusão.”

  2. ceilasantos agosto 4, 2008 às 12:46 pm #

    Marcelo, muito bom ter você aqui nesta conversa (obrigada!) eu nunca fui muito a favor do diploma, mas confesso que nunca olhei para as razões que me levavam a defender isso de forma profunda. Hoje que tenho uma experiência de buscar meu conhecimento a partir das escolhas que faço na internet percebo o quanto a “burocratização” de certos movimentos como o sistema de ensino, entre tantas outras coisas, nos tornam ainda mais mergulhados em piscinas rasas, dentro de nossas próprias caixas sem nenhuma necessidade de pensar. sim, é um grande comodismo tanto da parte dos estudantes, dos professores, dos jornalistas, dos editores e diretores de redação. é uma cultura em cadeia que não tem a mínima necessidade de sair da aguinha rasa para mergulhar de vez na busca pelo conhecimento, inovação enfim de fazer as coisas melhores. espero que experiências como NewsCamp ou projetos legais como repórter do futuro, os cursos de associações que buscam ensinar o outro a pensar por si próprio mude um pouco este cenário. bjkas e inté!

  3. Daniel Navarro novembro 17, 2008 às 7:48 pm #

    Marcelo, já não sou a favor do diploma obrogatório a algum tempo, mesmo sem ter esse argumento que você postou aí.
    Vou adicionar no meu caderninho de bons motivos.

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